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Poesia - Laís Fernanda Borges - Propriedades Da Música

Poesia - Laís Fernanda Borges - Propriedades Da Música

Pintura: Joma Sipe - A Chave Da Vida. Fonte: www.jomasipe.no.sapo.pt

A música povoa meus ouvidos
As recordações enchem a minha mente
E funcionam como o estopim
Para sentimentos bons e ruins

A música pode ser que nem navalha
Cortante a origem de grandes cicatrizes
Ou como o perfume agradável
Cujo aroma relembra nossos afetos

A música, agradável onda auditiva
Resgata momentos irretornáveis
É a volta prazerosa do passado
Ou o retorno das piores dores

A música sempre está presente
Em todos os momentos do viver
Afinal ela (se) confunde
E se funde com a própria vida

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - Medos E Segredos

Poesia - Laís Fernanda Borges - Medos E Segredos

*Pintura: Joy Jo - What I Need

As palavras têm açúcar
Assim como um veneno
Podem conter o afago
Mas ocultar uma navalha?

Por trás de um olhar marejado
Não existe somente melancolia
Existem sentimentos escondidos

O olhar perdido e as verdades
Chaves de respostas
O conjunto num canto
Limita-se ao encolhimento
Envolto pela hesitação desonrosa

Pessoas são caixas
Por trás de um sorriso
Escondem-se em segredos

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - Insone

Poesia - Laís Fernanda Borges - Insone

*Pintura: Joy Jo - Where I Am

Persegue o amargo
Ser pelos vidros da janela
A claridade chega na cama
Não descansa o aconchego

Moído pelo cansaço
A alma noturna discorda
Do meu corpóreo protesto
A noite silenciosa e soturna

Chama-o:
À noite, viro uma filósofa do sono
Abandona-me o abraço
Prazeres do pensamento
À troca do dia, recebo o tormento

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - O Sacrifício Do Ser

Poesia - Laís Fernanda Borges - O Sacrifício Do Ser

*Pintura: Wang Shengqiang - Cross-border

Continuo a contemplar
O vazio mais completo
As caras dos espertos
Em suas vidas comuns
Robotizados numa rotina
Guiada pela busca
Por bens materiais
Que satisfazem
Temporariamente o ego

Todos querendo o conforto
De ganhar mais de que o suficiente
Abrindo mão dos sonhos
Para concretizarmos o incerto
Que nem mesmo ao certo
Sabemos se são nossos desejos reais

Às vezes a felicidade está
No simples como:
O sorriso do filho
No abraço dos pais
No beijo do querido
No simples contemplar
No que a natureza oferece

Mas a felicidade está no ter
Ela sempre se impõe
Enquanto o ser é varrido para baixo
De um tapete se transforma
Em uma poeira tóxica
De frustração

Para ter, deixamos
De ser alguma coisa
Enterramos sonhos
Seguimos regras
E nos enquadramos em disciplinas respeitáveis

Todos tem direito ao ter
A viver com estrutura da matéria satisfatória
Mas sufocar o ser, extermina a alma
E machuca o coração
Nos levando mais cedo para
Onde mais a humanidade foge

O cemitério do ser
Precisa viver mais solto
Desfrutando de coisas impossibilitadas

Transforme o ter
Em significativo algo

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - Batalha

Poesia - Laís Fernanda Borges - Batalha

*Desenho: Ernest Conception - Gerana (The Wrath Of)

Com as batidas aceleradas
O peito quer explodir
A mente carregada
De atitudes desesperadas

A natureza une-se ao meu pranto
A chuva traduz minha tristeza
A esquina reserva uma surpresa
Um algoz vestido de negro

A paz é muito almejada
Mas o que sobra é sentimento

Adiar não mais adianta 
Nada de defensiva
Pegar as armas que tenho
O machado decepador de mágoas

E a terra que esconde-se eternamente
Em todos os ruins sentimentos 
Nas lágrimas secas, o reino da vida
Irá continuar?

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - Destruição (De Uma Muralha)

Poesia - Laís Fernanda Borges - Destruição (De Uma Muralha)

*Pintura: Ernest Conception - The Walkabout

Bate forte coração
Como uma bomba a explodir
Os lábios estão sempre a sorrir
Pra disfarçar descontentamento

A explosão é contida a todo instante
Mas destrói discretamente
O muro de contenção está virando pó
E será desfeito ao invisível
Propagadas ao esquecimento

Não há muralha que consiga proteger
Da força sobrenatural da raiva
Da lágrima não derramada
Da vingança adiada
E da eterna fuga da poesia

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - O Peso Das Palavras

Poesia - Laís Fernanda Borges - O Peso Das Palavras

*Pintura: Robert Novakovic - Leere

Como gostaria
De ter mais coragem
De articular palavras adequadas
Para um momento
Que nunca parece chegar
Será que este momento existe
Ou é coisa da imaginação?

Como algo que não se vê
E que não se pode tocar
Tem um peso tão grande?!
São apenas sons
Que saem da nossa boca

Palavras originadas no coração
Processadas pela mente
Durante a vida toda
Deixa-nos bastante marcas

Palavras
Com vocês irei fazer as pazes
E finalmente me entender
Palavras, carrascas palavras
Vocês deixarão de me maltratar
Palavras

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - O Recado

Poesia - Laís Fernanda Borges - O Recado

*Pintura: Andy Wicks - Igor

Quando o silêncio cala e a chuva chora
Minha alma se fecha num casulo
Tão apertado quando o buraco de uma agulha
Casulo localizado na parte mais sombria do meu ser

Lágrimas da natureza denominadas chuva
Lavem minha alma desta angústia toda
Leve o meu pranto até o rio
Que guiará tudo até o motivo da minha penúria

Amanheci caminhando entre túmulos
Mas não lembro como dentro de um mausoléu
E o vento um recado trouxe:
"Olhe para ti e para o teu corpo!"

Estava trancada num lugar escuro
Tão apertado como um coração melancólico
Rebati desesperada ao vento:
"Aqui está tudo escuro!"

O vento somente me respondeu:
"Não podes olhar nada, mas agora olharás"
A luz ofuscou a minha visão
Revelando o multicolorido das flores
Que ornamentavam meu jazigo

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - Viagem Numa Jaula

Poesia - Laís Fernanda Borges - Viagem Numa Jaula

*Pintura: Peter Astrom - "Oranienburgstrasse, Berlin"

A jaula invisível
A mais difícil de romper
A mais dura para serrar
A mais difícil de escapar

Dias passam no andar
Dos ponteiros
Continuam exatamente o mesmo
Acompanhando o ritmo
Da mesmice cotidiana
Alienação que nos engana
Com a certeza do bom e certo

Os sonhos diferentes na verdade
São os mesmos em toda parte
Do mundo, eles se repetem
Não importa quantos milênios

A estrada tortuosa da vida humana
Com as mesmas linhas retas
Que distorcem a todo instante
A fórmula é a mesma
Mas os resultados são
Extremamente diferentes

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - Foice dos Ventos

Poesia - Laís Fernanda Borges - Foice dos Ventos

*Impressão: Whoo Eezeet - Death Consoler Of Pain (Etching)


Pode nos levar a qualquer hora
Das trajetórias dos vivos é a senhora
Caminha ao lado de todos
E nunca é percebida
O abraço do vento frio
Nos castiga e regozija

Trabalha na equipe dos saprófagos
Entregando-lhes os corpos
E com ela levando as almas

Tempo é seu fiel companheiro
Que também nos acompanha
No decorrer do caminho inteiro
Ele nos dá as rugas
Às vezes nem estes sinais
A adúltera esposa nos beija
E depois dos nossos lábios
Nem quer saber mais

Deste beijo todos fogem
Ela prefere roubá-lo
Pois quando é procurada
Geralmente fica desapontada
Mas não descarta a oferta

Este ser é a dama da morte
Que percorre o mundo
Do sul ao norte
A maioria nunca a espera
Porém a todos, acerta
Trazendo o alívio
Ou então o tormento
Muito prazer
Sou a Foice dos Ventos

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borges - Quando

Poesia - Laís Fernanda Borges - Quando


Roda a vida
Gira gira
Circunda
Rodeia
E não chega
A lugar algum
O tempo passa
E a vida também
O quando esperado
Nunca chega..

Nós que devemos
Procurar a nossa estrada
Nunca adiar os planos
Esperando pelo certo incerto

Esperar o primeiro salário?
Ou pela aposentadoria?
Esperar o filho crescer?
Antes do casamento ou depois?
Quando ganhar cinco quilos?
Ou quando emagrecer vinte?
O eterno quando..

Sabia que o quando já chegou?
O quando é hoje

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Cláudio Talesman

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Poesia - Laís Fernanda Borge - Correnteza

Poesia - Laís Fernanda Borges - Correnteza


O rio dita o ritmo
Com suas águas,
Que nunca são as mesmas.
O rio de nossas vidas
É onipresente relógio
Onde o conjunto
Hora,
Minuto
E segundo
Formam a correnteza
Cuja a água parece a mesma,
Mas não é a que se vê agora.

Ao acabar este poema
O que você viu
Vai pertencer ao ontem:
O segundo que passou
Já virou lembrança,
Cristalizada na memória
E enterrada no coração.

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Cláudio Talesman

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